Meu caderninho - Quinta-feira, 5 de novembro de 2009
07h28 – O sol pinta com ouro os rostos preocupados com o pão de cada dia. Ônibus e mais ônibus de todas as cores tocam a calçada e arrancam apressados. Não é o 647A/10 Valo Velho. São Mais de dez minutos de atraso. Um homem com a gravata saltando da barriga saliente vira o pulso, segura o relógio, franze o rosto, empurra os óculos. Bigodes bem aparados, leve corcunda, sapatos marrom-claros, guarda-chuva na mão. Nunca se sabe quando vai chover. Amassa o jornal, abre-o novamente. Procura algum sinal do ônibus bordô, ainda que o chame de vermelho.
Finalmente o Valo Velho chega, ainda com o nome Pinheiros. São quase vinte minutos de atraso, que parecem quarenta. Na porta do ônibus a fila cresce inventariando desculpas para os chefes, enquanto o motorista fuma um cigarro, aproveitando o calor do sol matinal e degustando o azul limpo do céu que o ir-e-vir paulistano vai pintar de cinza.
As mentes sempre atrasadas sobem as escadas batucando saltos. Os bips dos bilhetes únicos misturam-se ao ronco do motor.
O homem ama/endu-recido pelo trabalho aperta os olhos enmorenados cada vez que o sol nasce entre um prédio e outro, ou reflete os raios poderosos por altas janelas espelhadas.
Meu ponto chegou. Desci. Vejo o Seu Alguém correr pela janela como o frame de um filme.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
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